Xamanismo, a medicina que vem da floresta.

Xamanismo, a medicina que vem da floresta.

10 minutos de leitura

Nunca antes da história da humanidade vivenciamos uma pandemia dessas proporções. Tivemos que caminhar de maneira diferente e inventar novas formas lidar com situações e desafios, em todos os aspectos de nossa vida. 

Nesse movimento, muita gente entendeu que era uma oportunidade de olhar para dentro. De fazer uma reflexão sobre tudo. Como está lidando com os relacionamentos? Qual a importância dada a seu trabalho ou ao dinheiro? 

Para falar desse movimento de auto reflexão que 2020 nos proporcionou, convidamos o terapeuta holístico Felipe Rocha, idealizador do Xamanismo 7 raios, um conhecedor profundo da medicina da floresta. Ele conversou com a gente sobre como a natureza pode ajudar a nos conectarmos melhor com nós mesmos e nos ajudar no resgate de nossa essência. E, nos traz muitos aprendizados sobre Xamanismo como forma de auto reflexão e auto amor.

Achamos que você vai gostar.

Você pode nos dar uma breve explicação sobre o que é o Xamanismo? E por que ele é um caminho de auto cura?

Nós no afastamos do ser natural, e começamos a enaltecer, de uma maneira melancólica, aquilo que é artificial. E esse afastamento, assim acreditam os povos nativos, é o responsável por esse estado de abatimento, de doença, de inconsciência que hoje abala a nossa humanidade, carente, precisada de mais natureza. O Xamanismo, nesse sentido, apresenta esse resgate, o caminho de retorno para a nossa divina essência. É importante dizer que o Xamanismo não é uma religião, não é um culto porque ele não tem um sistema de crenças definido, um conjunto de dogmas, um corpo sacerdotal, uma liturgia. A gente não consegue encontrar uma única linha dentro do Xamanismo, que se quer existe uma codificação do fenômeno xamã. O Xamanismo que se expressa no Brasil é diferente do Xamanismo na Sibéria, do Africano, Polinésio, do Norte Americano, então, cada cultura manifesta o Xamanismo conforme sua cultura, com as ervas que têm à disposição com os ritos, os minerais. Mas, em comum, nós identificamos essa prática de reconexão com a natureza. 

É a medicina da terra, que muitas pessoas associam de maneira reducionista à espiritualidade dos índios, mas vai muito além disso. O próprio termo foi cunhado recentemente pela Antropologia, por volta do século XVIII. No entanto, o Xamanismo é a prática espiritualista mais antiga da caminhada humano sobre a Terra. Remonta ao período Paleolítico, à Idade da Pedra, ou seja, quando o ser humano começou a divagar a sua relação com as estrelas, com os animais, com o movimento das estações, com espíritos da natureza, percebendo, enfim, de que tudo o que a natureza é feita nós também somos. E a reconexão através dos elementos, que são as partes constitutivas do nosso ser, holográfico, holístico. 

Por que precisamos voltar à nossa essência?

Porque a nossa essência é o que nos constitui. E o caminho da essência, da consciência, é o caminho da renúncia, a todas as artificialidades, a todas as superficialidades, que, de alguma maneira, sufocam o nosso espírito. Quando a gente fala de recuperar a essência é se afastar, mesmo que momentaneamente, de todos esses estados de coisas transitórias. E que acabam afligindo o nosso espírito. 

Começamos a hiper valorizar excessivamente, os estímulos que a matéria nos oferece. Como resultado, nós temos uma sociedade regida por essa psique urbanística de que a felicidade está condicionada à satisfação dos desejos, à obtenção de prazeres efêmeros. Pessoas que acham que precisam de mais: acumular mais, comprar mais. Isso faz com que a maior parte das pessoas de nossa sociedade esteja sempre olhando a felicidade como um horizonte muito longínquo, uma coisa que está mais à frente. 

Quando nós nos recordamos a nossa essência, recuperamos nossa satisfação interna. Percebemos que o sagrado não está fora, não está distante, não está na altura inalcançável dos céus. Quando removemos esses penduricalhos, esses adornos, tudo aquilo que nos afasta do que realmente somos o que sobra é a divindade, é Deus. O que é essencial do ser humano é a divindade e se manifesta em potência, a partir do momento em que nós queremos despertar novamente essas faculdades divinas. Qualquer que seja a sua religião, seu sistema de crenças, a sua classe social, todos aqui estamos para cumprir a nossa meta suprema, que é a transformação gradual da matéria em espírito. 

Você acha que as pessoas estão conscientes do que é Amor Incondicional?

Eu acho que ainda há um abismo entre o discurso e a prática, nesse sentido. Assim como outras expressões que são utilizadas com muita frequência, mas ainda muito pouco internalizadas pelo ser humano na dimensão da sabedoria. Nos tempos em que a gente vive é comum e até atrativo falar em amor incondicional, em fraternidade, mas falta, acredito eu, uma disposição genuína das pessoas de olhar para si e perceber quais são as minhas faces que estão carentes de amor, de cuidado, de auto observação, quais as sombras e as precariedades que eu ainda deixo de lado em prol de um ideal de felicidade que é muito superficial, muito transitório. 

Então, a espiritualidade na prática pressupõe essa disposição genuína em olhar para dentro e descobrir quais partes de mim precisam de mais amor. Hoje eu estou faltando eu oferecer amor a mim mesmo e isso dificulta em oferecer amor para o outro. Enquanto a gente não aprende a oferecer para si, aquilo que a gente quer doar para os outros, essa doação não vai ser completa. Então, amor incondicional, é a grande medicina da humanidade, é o tecido conectivo de todas as coisas entre o céu e a terra. Mas, a gente precisa começar a vibrar isso, na dimensão da sabedoria. Fazer com que isso seja menos restrito ao campo mental, na palavra, na teoria e sentir vibrar isso em nosso coração. 

Quando alguém nos oferece um desafio, quando alguém nos oferece uma frustração, é de fato sentir no coração esse amor que transpassa todas as diferenças. Porque além da pequeneza que nos afastam, existe uma grandiosidade que nos aproxima. E isso que é a dimensão do amor incondicional, na minha impressão. 

Como as medicinas da floresta podem nos ajudar a trabalhar os vazios de amor que temos em nós?

A Terra é a maior farmácia que existe à disposição do ser humano. Um dos papéis do Xamanismo é tentar equilibrar essa gangorra, que eu falei no início, que fez com que as pessoas começassem a valorizar excessivamente a solução que vem da medicina científica, e, ao mesmo tempo, se afastaram da solução que vem da Terra. A nossa mãe Terra tem uma miríade de milagres, de dádivas à disposição dos seres humanos que querem encontrar a sua essência. É uma infinitude de ervas, cristais, de plantas, botânicas, que estão à nossa disposição para que a gente possa acessar uma outra realidade além daquela que nos sufoca, nesse momento. 

O Xamanismo é o melhor da realidade extraordinária. E dentro desta esfera, a medicina da floresta surgem como forma de inteligência, espíritos, vibrações da natureza que convidam seus filhos a retornarem para casa, para o lugar que nós chamamos de o grande mistério, para além do que nossa mente consegue conceber, para além do que a nossa ciência consegue explicar, para além do que as filosofias conseguem alcançar, existe o mistério, o intangível, o inefável e a gente consegue se aproximar, tocar com as pontas dos dedos esses presentes que a terra nos oferece. 

As medicinas da floresta são espíritos que nos ajudam a recuperar essa dimensão do auto cuidado. Elas não fazem milagre com ninguém. Acho importante dizer isso. Elas apenas abrem o caminho para você se reconectar com seus próprios milagres, as suas curas e as suas respostas.

A única fonte do milagre somos nós mesmos. Enquanto não acreditamos no milagre, ele não pode se manifestar, dentro da nossa compreensão. 

Você pode comentar, por favor, sobre a função da fumaça dentro do Xamanismo?

Quando a gente fala da queima das ervas, dentro do Xamanismo, que é uma prática antiquíssima, a gente recorre à fumaça para liberar a vibração dessas ervas no ar e fazer com que a energia das plantas permeie o ambiente e crie e aprimore o contexto ritualístico que estamos querendo criar para conseguir alcançar uma resposta, um estado meditativo, uma cura, o momento em que a gente está iniciando uma cerimônia. Então, a fumaça, nesse sentido, tanto tem a dimensão de equilibrar o campo vibracional do ambiente como também de elevar as vibrações que estão ali intencionadas a altura do grande espírito, que é uma simbologia muito fortes em diversas tradições xamânicas. 

A fumaça que é liberada está buscando cumprir o seu propósito, que é levar as nossas intenções, as nossas impurezas, levar aquilo que não nos mais serve porque o grande espírito saberá dar o melhor destino àquela energia. 

Cada erva tem sua característica, cada qual com sua qualidade energética, a sua cura, a sua medicina que elas nos ofertam para que a gente consiga chegar a esse equilíbrio que nós buscamos dentro de um ritual, dentro de uma cerimônia, de um momento religioso ou simplesmente de um momento de conexão que criamos dentro da nossa casa buscando um lugar de silêncio, de centramento. 

Quando a gente acende um incenso, um bastão de ervas, ao consagrar aquela planta de poder, estamos nos conectando com o nosso próprio divino, do qual nos afastamos por conta da nossa vida cotidiana, dos nossos hábitos. 

A Ayahuasca ficou muito famosa nos últimos tempos. Qual é a função dela?

A Ayahuasca é essa planta professora, que nós chamamos, uma vibração, uma alquimia vegetal que é utilizada há milhares de anos por povos nativos, sempre com esse objetivo de auto cura, auto transformação, uma planta que nos conduz ao mergulho profundo dentro do nosso universo interior para que a gente identifique as pedras brutas que precisam ser lapidadas, as imperfeições que precisam ser removidas, para que a gente possa seguir a nossa jornada de aprimoramento, de uma forma mais consciente, mais conectada, mais leve. 

Ela nos ajuda a remover todos os nossos estágios de coisas transitórias para que a gente possa, de novo, sentir esse vazio, que é o vazio que permite que a gente possa ser preenchido por esse divino novamente. 

Como podemos usar a força de nossos animais de poder no dia a dia?

Quando a gente se vê em situações de desafios, que a vida nos oferece todos os dias, a gente fica carente de ferramentas. Então, a gente precisa sempre em contato com as ferramentas para que elas se manifestem de uma maneira cada vez mais espontânea. 

Os animais de poder, por exemplo, estão muito além da metafísica da coisa, de um caráter essencialmente esotérico. Eles estão relacionados àquilo que Jung chamava de inconsciente coletivo, que são essas imagens apriorísticas, que antecedem o nosso ego e que podem ser acessadas em qualquer tempo, em qualquer lugar, qualquer cultura. São forças arquetípicas da natureza que podem e devem ser acessadas para que a gente possa se reconectar com a nossa parte primitiva, com a nossa psique instintual. Aquelas qualidades e atributos que residem no âmago do nosso ser e que os animais nos ajudam a resgatar, recuperando essa força instintiva que habita o coração de todos os seres humanos. 

Cada animal, assim como cada erva, também tem sua qualidade energética, também tem o seu atributo essencial. Então, quando a gente evoca a energia de cada animal, a gente está se conectando com aquela medicina, com aquela energia, pedindo que ele nos auxilie a passar, a superar, aquele desafio que se apresenta naquele momento. É um caminho de reconexão também. 

Alguns dizem que o Papai Noel nasceu na Sibéria e tem origem no Xamanismo. Você conhece essa história? 

O Xamanismo tem muito essa beleza de resgatar essas histórias antigas que nossos antepassados compartilhavam e que no auge da modernidade a gente foi deixando para trás. 

Papai Noel é uma figura muito antiga dentro dessa linha xamânica, porque ele teria surgido na região da Sibéria, um dos berços do Xamanismo, como a gente hoje o conhece, na Ásia Cententrional, habitada por diversos povos antigos, que foram responsáveis por disseminar a medicina da terra, entre várias outras regiões do globo. Era uma região habitada pelas renas e elas comiam o cogumelo e, por sua vez, e esses povos comiam essas renas e entravam em estados ampliados, não ordinários de consciência. E teriam avistado essa figura de um ancião, de um Papel Noel que surgiu oferecendo presentes, regalias para a comunidade.

Um grande xamã que presenteava as pessoas com estados mágicos de consciência.  

Entre outras práticas eles penduravam as meias, na fogueira, para poder secar os cogumelos, desidratá-los e entrar em estados elevados de consciência. A imagem do Papai Noel é tão antiga quanto a história humana da caminhada sobre a terra. 

Quando se fala em Xamanismo, logo vem à mente a figura de um xamã. Explique pra gente, por favor, o que é um xamã e se é uma figura exclusivamente masculina.

O xamã representa o viajante do invisível, o desbravador da consciência. É aquele que trafega entre as diferentes dimensões, procurando respostas e curas para compartilhar nessa dimensão terrena. O xamã só consegue oferecer a cura porque ele encontrou a cura dentro de si, então, ele oferece esse arquétipo do curador curado. E estamos nos referindo a homens e mulheres que assumiram essa condição de viajar pela dimensão invisível, transpassando as barreiras da matéria, para conseguir acessar esse mistério, esse invisível, dessa realidade extraordinária, que a todo momento nos convida a expandir a nossa consciência para uma perspectiva maior. 

Tudo o que a gente precisa fazer, talvez, não é abrir mais os olhos. É fechar os olhos, voltar a enxergar novamente com os olhos fechados, que é a mágica que o xamã desempenha com tanta maestria: enxergar a vida com os olhos do coração.

Conheça um pouco mais do trabalho do Felipe Rocha acessando: https://xamanismoseteraios.com.br/

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