segunda-feira, julho 22, 2024
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Motivação no trabalho: o que te motiva todos os dias?

O trabalho vai além da mera sobrevivência; desafia, molda e oferece uma rota de fuga da monotonia. É uma expressão da tekhné, habilidade humana para criar e inovar, ligada à poiésis, o processo de dar forma ao novo. Enquanto os animais agem por instinto, os seres humanos transformam o mundo usando sua criatividade. Aristóteles defendia que a verdadeira satisfação vem de viver de acordo com princípios ou objetivos, buscando a eudaimonia, uma vida bem vivida. A felicidade resulta da busca por um "porquê" para viver, não sendo apenas alegria superficial, mas um profundo significado que transcende as circunstâncias. A busca por significado no trabalho reflete uma busca mais ampla pela realização pessoal e felicidade. Encontrar motivação não está apenas nos grandes feitos, mas também nas tarefas diárias e na contribuição para algo maior.

Certo dia, lendo sobre o Mito de Sísifo, me veio uma reflexão sobre motivação no trabalho.

Sísifo, filho do rei Éolo e Enarete, foi, segundo a mitologia grega, o fundador  e primeiro rei de Éfira, que mais tarde seria conhecida como Corinto. 

Segundo a lenda, após desobedecer e enganar os deuses, ele foi condenado a eternamente empurrar uma enorme pedra montanha acima, apenas para vê-la rolar de volta toda vez que se aproximava do topo, um trabalho exaustivo e sem fim. 

Sua história simboliza a busca incessante e muitas vezes inútil da humanidade por significado e propósito em um mundo que pode parecer absurdo e sem sentido.

E quando muitas vezes nos encontramos presos em rotinas que parecem desconectadas de nossas verdadeiras paixões e interesses, fica difícil não pensar se não estamos vivenciando também a história de Sísifo. 

Nessa situação, podemos nos perguntar: qual é a nossa motivação no trabalho? 

Por que nos levantamos pela manhã todos os dias, para passar mais de 10h longe das nossas famílias?

A resposta pode estar na essência do que nos torna humanos.

E é sobre isso que falaremos neste artigo.

Fique com a gente, pois aqui vamos descobrir:

  • Por que o trabalho?
  • Qual é a nossa motivação no trabalho?
  • É possível ser feliz no trabalho?
  • E muito mais…
Uma mulher trabalhando feliz

Por que trabalhamos?

Trabalhamos para prover o essencial, sim, mas também para alcançar aspirações que vão além da mera sobrevivência. 

O trabalho nos desafia, nos molda e, em muitos casos, nos oferece uma rota de fuga da monotonia do cotidiano.

Ele nos dá a chance de construir algo duradouro, de educar nossos filhos e de sonhar com um futuro melhor. 

E, embora o preço seja o tempo longe de quem amamos, muitos veem no trabalho uma forma de amor próprio e dedicação à família.

Os gregos falavam da tekhné como uma expressão da habilidade humana para criar e inovar. Era a arte de fazer, uma capacidade que combinava conhecimento e prática para produzir algo útil ou belo. 

A tekhné estava intrinsecamente ligada ao trabalho e ao artesanato, refletindo a ideia de que, por meio da ação criadora, o ser humano podia exercer sua criatividade e inteligência para transformar o mundo.

E é exatamente isso que nos diferencia dos animais: a poiésis

Essa noção, enraizada na filosofia grega, refere-se ao processo de trazer algo novo à existência, de dar forma ao que antes não tinha forma. 

Trata-se do ato de criação que está no centro de todas as artes e ofícios, onde o pensamento se materializa e o infinito se une ao finito.

Enquanto os animais agem por instinto para sobreviver, o ser humano utiliza a “tekhné” para ir além da sobrevivência, buscando fazer do mundo a sua imagem e semelhança.

Somos capazes de visualizar possibilidades que ainda não existem e de transformar essas visões em realidade. 

Mas o que isso tem a ver com nossa motivação no trabalho?

Porque não trabalhamos apenas para sobreviver; trabalhamos para realizar nossas visões, para expressar nossa criatividade e para satisfazer nossa sede de eternidade.

O trabalho é o meio pelo qual exercemos nossa “tekhné”, aplicando nosso conhecimento e intuição para resolver problemas e melhorar a vida. 

É também a maneira como praticamos a “poiésis”, trazendo novas ideias à existência e dando forma ao futuro.

Qual é a nossa motivação no trabalho?

Podemos trabalhar por diversos motivos, que refletem as infinitas dimensões da experiência humana. 

Entre os principais, podemos citar o sustento, que é a necessidade básica de prover para nós mesmos e para nossas famílias.

O trabalho também pode ser motivado pelo desejo de realização pessoal.

A chance de aplicar nossas habilidades para sentir que estamos contribuindo de maneira significativa para algo maior que nós mesmos.

Nossa motivação no trabalho pode advir também do desejo de estabilidade e segurança, uma vez que ter um emprego estável pode proporcionar a tranquilidade que precisamos para perseguir outros objetivos

No fundo, no fundo, Aristóteles diria que todas estas motivações se uniriam por uma mesma e única aspiração: felicidade. 

Para ele, a felicidade não era um estado de constante euforia, mas sim uma forma de bem-estar que se alcança pela “eudaimonia”.

Uma vida vivida de acordo com as melhores qualidades que temos dentro de nós, tanto as racionais quanto as morais. 

Assim, quando falamos de trabalho, podemos ver que, além do sustento, da realização e da estabilidade, buscamos algo muito mais profundo: a felicidade. 

Trabalhamos para criar condições que nos permitam viver bem, para nos desenvolvermos como pessoas e para contribuir para o bem-estar daqueles ao nosso redor. 

E é essa busca pela felicidade que, segundo Aristóteles, dá sentido e direção a todas as nossas ações.

Infelizmente, nem todos têm a chance de trabalhar com o que amam, assumindo às vezes até posições humilhantes, degradantes ou até desumanas. Diante dessa realidade, fica a pergunta: é possível ser feliz assim? 

Como se motivar no trabalho?

Felicidade no trabalho: é possível?

Viktor Frankl, em seu livro “Em Busca de Sentido”, argumenta que a felicidade não é um estado de espírito passivo, mas sim um efeito colateral da busca por um “porquê” – uma razão para viver. 

Mesmo nas circunstâncias mais adversas, como as que ele próprio enfrentou em campos de concentração, Frankl observou que aqueles que conseguiam encontrar um propósito para suas vidas muitas vezes encontravam a força para continuar.

A felicidade, nesse caso, não seria uma alegria superficial, mas uma profunda sensação de significado que transcende as circunstâncias imediatas.

Aristóteles, assim como Frankl, também acreditava que a verdadeira satisfação vem de viver de acordo com certos princípios ou objetivos que transcendem as circunstâncias imediatas.

E é por isso que precisamos nos empenhar tanto em uma busca por sentido.

Não é uma tarefa fácil, nem sempre é clara ou direta, mas é essencial para a nossa existência. 

É ele que dá substância à nossa vida, molda nossas ações e decisões, e nos ajuda a superar obstáculos, nos desafiando a olhar além das circunstâncias imediatas e a encontrar alegria e gratidão nas experiências diárias, mesmo que sejam pequenas ou aparentemente insignificantes.

É um caminho que todos devemos percorrer, pois, como disse Viktor Frankl, “Aquele que tem um porquê para viver, pode suportar quase qualquer como”.

Transformando o seu como em porquê

E se, ao invés de procurar significado em coisas grandiosas ou externas, você o buscasse na sua própria jornada?

A jornada pessoal de cada indivíduo é única e repleta de lições que só podem ser aprendidas através da vivência. 

É por isso que, ao invés de esperar por grandes eventos, podemos encontrar propósito nas interações cotidianas, nos desafios superados e nas pequenas conquistas do dia a dia. 

Ao abraçarmos nossa própria jornada como fonte de significado, nos tornamos mais conscientes do nosso papel no mundo e da influência que temos sobre nossa própria vida. 

Isso não apenas nos empodera, mas também traz uma sensação de paz e contentamento, sabendo que o significado não está fora de alcance, mas sim tecido na própria estrutura de nossa existência.

Valorize a sua jornada

Nossa sociedade tende a valorizar a chegada mais do que a jornada, mas é na jornada que a vida realmente acontece. 

Não é uma corrida, é uma caminhada para ser apreciada, com cada passo oferecendo oportunidades para crescimento e autoconhecimento. 

Quando aceitamos que estamos exatamente onde precisamos estar, liberamos a ansiedade do “deveria” e abraçamos o “é”.

Assim, ao invés de medir o sucesso pelas conquistas materiais ou pelos marcos sociais, podemos redefinir o sucesso como estar em paz com quem somos e onde estamos, encontrando satisfação na contribuição que damos ao mundo, não importa quão grande ou pequena ela seja. 

Isso não significa que devemos abandonar nossos sonhos ou aspirações, mas sim que devemos valorizar cada etapa do processo, confiando que cada experiência tem seu valor e tempo certo.

Essa é uma posição muito parecida com o estoicismo que prega a aceitação do momento presente como ele é, sem desejar que as coisas fossem diferentes. 

Os estoicos acreditavam que a felicidade vem de viver em harmonia com a natureza e entender que só temos controle sobre nossas próprias ações e atitudes, não sobre os eventos externos.

Isso não significa passividade, mas sim um compromisso ativo com a vida que temos, buscando melhorá-la dentro das nossas possibilidades, enquanto mantemos a serenidade diante do que não podemos mudar.

Mas e você? Como encontra motivação no trabalho?

Quem diria que poderíamos ir tão longe em nossas reflexões simplesmente nos perguntando sobre motivação no trabalho? 

A busca por significado no ambiente profissional é um microcosmo da busca maior pela realização pessoal e felicidade.

Ao questionarmos o que nos motiva, não apenas no trabalho, mas na vida, abrimos as portas para um entendimento mais profundo de quem somos e do que realmente valorizamos.

Lembre-se, felicidade não é o resultado, mas o processo. 

E isso nos leva a compreender que a motivação não se encontra apenas nos grandes feitos ou conquistas, mas também na satisfação das tarefas diárias, na contribuição para algo maior que nós mesmos. 

É um lembrete de que, mesmo nas atividades mais rotineiras, há espaço para encontrar propósito e alegria.

Quando entendemos isso, começamos a perceber que cada momento tem seu valor, independentemente de ser considerado bom ou ruim. 

Aprendemos a encontrar contentamento mesmo nas situações mais simples, e a gratidão se torna uma prática diária, não apenas uma reação a eventos positivos.

Ficamos por aqui, então.

Esperamos que essas reflexões tenham sido enriquecedoras e que elas possam inspirar uma busca contínua por significado em todas as áreas da sua vida. 

Lembre-se de que o caminho para a realização pessoal é tão importante quanto o destino final. 

Obrigado por compartilhar este momento de reflexão.

Até a próxima!

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