Como os relacionamentos surgiram?

Como os relacionamentos surgiram?

6 minutos de leitura

Era uma vez um mundo onde as sociedades eram matriarcais, ou seja, as mulheres estavam no centro das atividades. Elas eram guerreiras, pegavam em espadas e, também, tinham uma relação íntima com a natureza.

Conseguiam prever colheitas apenas tocando o solo. Sabiam que as águas eram capazes de nutrir as plantações, então, engenhavam como canalizar rios. Dominavam os elementos na natureza e eram vistas como sábias e empoderadas. Você acha que isso é um conto de fadas? 

Diversos estudos mostram que nas sociedades antigas as mulheres tinham muitas funções e ocupavam espaços relativamente similares aos dos homens. Basta darmos uma olhada nos livros de história. Por exemplo, se lembrarmos o Egito Antigo, vamos ver que existiam mulheres no comando que promoveram revoluções, como Nefertiti e Cleópatra.

A rainha de Sabá

Essa rainha é um desses casos em que uma mulher governou num mundo dominado por homens.

Ela é citada em diversos textos religiosos como a Bíblia Hebraica, principalmente nas passagens que faz referência à corte de Salomão. Foi vista como uma mulher independente que liderou um reino importante e rico ao sul de Judá, na Península Arábica . Sabe-se que a rainha era extremamente inteligente e reconhecida internacionalmente, tornando o seu reino um centro comercial importante para as rotas de incenso.

E estamos falando de uma história que data em torno mil anos antes de Cristo.

O poder feminino

Mesmo aquelas que passaram anônimas pela história ajudaram a construir sociedades em que o feminino exercia uma função ímpar. 

No livro Bruxas, a autora Lady Miriam Black cita que as mulheres do século 4 A.C tinham grande influência política. Atuavam como diplomatas, árbitros e juízes na guerra e na paz.  

E ganharam destaque nas sociedades celtas, que eram formadas por conjuntos de clãs que se uniam e constituíam “famílias”. Não havia uma questão de hierarquia, mas de cooperação. E essa condição, segundo a autora, durou mais ou menos até o século 3 D.C. 

Mas, a história mudou de rumo. Quando instituída no Ocidente uma só religião, o Cristianismo, os celtas passaram a não ter mais escolha sobre como gostariam de viver porque era preciso entrar num outro sistema chamado feudalismo. Foi quando, então, os clãs passaram a ser dominados exclusivamente por homens.

E o que tudo isso tem a ver com a história dos relacionamentos?

É aí que surgem os casamentos. Se antes, nas sociedades matriarcais, as mulheres tinham o direito de ir e vir e de amar quem quisesse com o seu coração, basicamente com os mesmos direitos que os homens, a partir do surgimento dos feudos a história dos relacionamentos muda de rumo. 

Algumas dessas questões são tocadas no livro Calibã e a Bruxa, de Silvia Federic. A autora conta que a partir da sociedade feudal, a mulher passa a ser vista como uma figura quase indesejada. Isso porque a mulher deixou de ter opção sobre seu próprio corpo e muito das liberdades que elas haviam conquistado desde a Antiguidade, passaram a ser consideradas como um crime. O controle de natalidade é um exemplo disso. 

Então, a sociedade patriarcal da época torna a mulher uma propriedade masculina. Segundo Silvia, além do controle de natalidade, o trabalho feminino também foi considerado criminoso. Sendo assim, a mulher que trabalhasse era mal vista e pecadora. Esse controle sobre as mulheres trouxe consequências graves para a representação do feminino que, por imposição de um sistema, foram vistas apenas como uso para reprodução, não podendo mais participar das questões políticas, econômicas e sociais. Casar era a única possibilidade de uma mulher ser algo na vida. Ela nascia filha, se tornava esposa e depois viúva. Praticamente, um incômodo social. Com sorte, conseguiria gerar filhos homens.

Um parênteses: na Idade Média, apenas as mulheres da nobreza, como princesas e rainhas podiam ter amantes porque era sabido que os casamentos eram arranjados. Os amantes significavam um bônus por viver num casamento não realizado no amor.

Mas, as demais mulheres não tinham essa escolha não. Aliás, aquelas que resistissem ou não compactuavam com esse sistema patriarcal, eram consideradas bruxas.

O feminino na fogueira

Você está achando essa história pouco romântica? Precisamos te dizer que ela não tem um final feliz. Você deve ter reparado que trouxemos dois livros que tem a palavra bruxa no título. Isso não acontece à toa. Bruxa era considerada toda mulher que tinha algum tipo de sabedoria com ervas, que expressava desejos sexuais, que não queria se casar à força, que não queria ter filhos. A falta de escolha sobre seu próprio corpo, sua vida afetiva ou econômica fazia com que as mulheres se revoltassem e, então, caçadas e reprimidas para que não fugissem ao poder masculino.

No Dia das Bruxas, escrevemos um texto só sobre esse lamentável episódio da história da humanidade. Clique aqui para ler. 

Mas, quando então surgiu o príncipe encantado?

Bem lembrado. Ele aparece em quase todos os contos da Disney que, em sua maioria, foram inspirados nas histórias dos Irmãos Grimm, uma dupla de linguistas que viveu no século XIX. Os autores compilaram diversas histórias orais e seculares, passadas de uma geração para a outra. Ao ler os contos dos irmãos Grimm é possível identificar, bruxas (aí elas novamente), princesas injustiçadas e muita violência. Ah, sim! Homens muito, mas muito valentes que vão conquistar suas princesas. Os contos não têm nada de história para crianças, no entanto, ficaram como um legado para olharmos sobre como eram compreendidos os relacionamentos dois ou três séculos atrás.

O mais interessante ainda é que uma das edições recentes desses contos foi editada por Clarissa Pinkola Estés, que nada mais é do que a autora de Mulheres que Correm com Lobos. No olhar de mulher, Clarissa retirou da obra alguns contos que ela considerou como pesados e que continham intolerância de gênero, sexual, racial ou religiosa. A justificativa que ela deu para fazer isso é que “não é uma questão de censura. É muito mais uma questão de consciência e misericórdia pelos outros”. Em outras palavras: não se deve replicar mais, para o mundo, aquilo que já temos consciência de que não é bom para os humanos.

Julieta, eu vou morrer por você!

Mas, a idealização do amor vai além disso tudo o que falamos. Nós sabemos que Shakepeare veio antes dos irmãos Grimm, mas queremos finalizar toda essa reflexão sobre relacionamento e casamento com Romeu e Julieta.  

A famosa obra é um romance do aclamado autor inglês de teatro, que dispensa apresentações. Todos nós sabemos o significado do amor entre o casal que nunca ficou junto. Ou melhor, conseguiu se unir quando se mataram. 

O romance idealizado pelas dificuldades é outro olhar que merece atenção nos dias de hoje. Quantos livros e filmes você conhece que contam a história sobre um amor proibido, por vezes platônico, nunca declarado ou simplesmente separado por alguém? Sabe por que isso acontece?

Porque existe a crença de que só seremos amados se antes sofremos ou que, para termos amor, precisamos sofrer antes. Parece besteira, mas isso ainda acontece nos dias de hoje.

Sabe aquela pessoa que não te assume nunca? Ou aquela pessoa que fica dando like nas suas publicações, mas não tem coragem de dizer que te ama? Isso ainda são respingos históricos de como o amor é compreendido em nossa sociedade. 

E o que fazer diante de tantos conceitos sobre o amor e relacionamentos que se arrastaram por séculos, mas que existentes ainda hoje?

Ressignificá-los. Mas, vamos deixar isso para um outro texto. 

Apenas ficamos aqui torcendo para que você possa sentir um amor que seja não apenas verdadeiro, mas honesto, com trocas reais, com amadurecimento. Sem Romeus, Julietas, contos de fada, sapatos perdidos. Que o seu amor seja completo. Primeiro por você mesmo(a) e depois por aquela(e) que vai crescer contigo. 

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