Sua masculinidade é tóxica?

Sua masculinidade é tóxica?

4 minutos de leitura

Quando o apresentador Rodrigo Hilbert foi chamado de “homão da porra”, se posicionou dizendo que ele não fazia muito mais do que a obrigação dentro de casa. 

Anos atrás, o apresentador viralizou na internet ao aparecer fazendo crochê num programa de televisão. E, a partir disso, surgiram comentários (machistas, claro) e gozações, do tipo: “o que mais falta para ele fazer?” “Quem consegue segurar o Rodrigo Hilbert?”

Como se cuidar de casa, fazer crochê, ser bom marido, cozinheiro, fosse um patamar impossível de se alcançar para os homens brasileiros.

Será mesmo?

Na ocasião, Rodrigo Hilbert se defendeu dizendo que muitas mulheres que passaram a vida cuidando dos filhos, cozinhando, fazendo crochê nunca foram chamadas de “mulherão da porra”.  Em outras palavras: por que os homens precisam ser classificados como melhores, se as mulheres exercem as mesmas funções que os homens?

Uma visão distorcida da mulher

Queremos trazer aqui uma observação e análise de como as mulheres, historicamente, foram identificadas na sociedade (você pode ler o texto sobre a história dos relacionamentos que fala sobre isso, clicando aqui)

Hoje a Incenso Fênix já é composta mais por mulheres do que por homens. Então, achamos esse debate importante. E, mais! Os homens que fazem parte dessa equipe também consideraram relevante a análise que trazemos abaixo.

  • Durante séculos mulheres foram vistas como objeto de reprodução. Ao final do texto, deixamos sugestões de livros que falam sobre o papel da mulher na sociedade, na linha da história. Acreditamos que essa “classificação” da mulher tenha depreciado o feminino como um todo, ou seja, o que elas fazem, como fazem, suas opiniões, forma de viver não são consideradas relevantes porque foram taxadas, exclusivamente, de reprodutoras.
  • Além de não terem, ainda, os mesmos direitos que os homens, também são vistas como menos capazes de exercer papéis. Por isso que, já alguns anos, alguns movimentos vêm ganhando força no mundo todo não apenas para que a mulher ganhe voz, mas para ter a equiparação em tudo aquilo em que o homem é privilegiado. O feminismo é um exemplo desses movimentos.

Uma visão distorcida do homem

Nós acreditamos que essa visão distorcida da mulher surgiu porque o homem também está tendo uma perspectiva errônea sobre a própria masculinidade. Se formos parar para analisar, quais são os sinônimos de masculinidade hoje no mundo? Vamos fazer uma lista:

  • força
  • imposição de ideias
  • virilidade
  • potência
  • literalidade de decisão

Historicamente, as guerras nos mostram que a construção social do homem é aquele que tem ou detém o poder, mas não pela conquista leal e diplomática de um território e sim pela imposição. É um homem que exerce a força, que não dá espaço para outras opiniões, que não leva desaforo para casa e que exclui aquilo que não é a representação de sua opinião. E é essa imagem de “conquistador” que os homens, durante séculos, se espelharam. Isso não quer dizer que as mulheres nunca participaram das guerras. Sabe-se que elas, por vezes, auxiliaram em guerras de maneira estratégica e não pela força. E que participaram desses movimentos indiretamente.

Mas, o que queremos mostrar aqui é que esse “macho construído ao longo da história” faz muito mal para si mesmo. Porque quando alguém impõe desejos, força, virilidade, o que vai conseguir é a resistência. E, consequentemente, irá machucar quem está ao seu lado. Quando um homem impõe sua virilidade, por exemplo, seja numa cantada, na depreciação do ponto de vista de uma mulher (apenas porque é mulher) ele está exercendo um padrão ancestral de força. Não à toa estamos ouvindo tantos discursos de repulsa à masculinidade tóxica.

Homem chora sim

Um dos caminhos que muito tem se falado, atualmente, para que o homem possa equilibrar a sua masculinidade é entendê-la fora de padrões que sejam o da imposição e força. Num primeiro momento, compreender os sentimentos que esse homem tem e não ignorá-los. Caso contrário, não vai saber lidar direito com suas próprias emoções e, fatalmente, irá represar os sentimentos que sairão em forma de agressividade, muitas vezes expressa numa sexualidade impositiva, numa fala explosiva. Mas, não é só isso. Colocamos, abaixo, alguns comportamentos que estão sendo, aos poucos, substituídos por homens que já estão mais conscientes de seus comportamentos.

Então, um homem que busca ser saudável:

  • elogia em vez de passar uma cantada;
  • demonstra interesse pela pessoa que a mulher é e não só pelo seu corpo;
  • entende que sexo não é um filme pornô e sim um momento de intimidade e prazer mútuo; 
  • que corpo é algo sagrado, tanto do homem, quanto da mulher. Portanto, ninguém toca o corpo de ninguém se uma das partes não quiser.
  • entende que mulher possui fases e variações hormonais, portanto, não enxerga com frescura a tpm, gravidez, dores da menstruação; 
  • que homem pode falar sobre sentimentos, emoções e vulnerabilidade sem medo de parecer “coisa de mulher”;
  • não exerce a força e não impõe sua opinião. Privilegia o diálogo.
  • está aberto a ouvir em vez de só falar;
  • não faz comentários depreciativos sobre nada nem ninguém, seja sobre roupa, cabelo, estilo de vida etc;
  • não acha que fazer tarefas de casa é coisa de marica;
  • entende que cuidar dos filhos não é papel da esposa e sim do casal; 
  • compreende que demonstrar afeto e ser amoroso não o fragiliza;
  • que fazer terapia é uma forma de melhorar a própria vida;
  • que ser sensível, intuitivo ou espiritualizado não é coisa de bruxo, mas de um homem que busca um caminho por meio da luz. 

Nós acreditamos que existem sim homens que estão buscando expressar sua masculinidade de maneira mais harmônica e afetiva. Mas, que acima de tudo buscam compreender o papel que tanto as mulheres como homens têm em nossa sociedade, num equilíbrio entre o masculino e o feminino.

De maneira complementar, integrativa e amorosa. 

Para você, o que é o masculino saudável?

Livro sugerido:

  • O mito da beleza: como as imagens de beleza são usadas contra as mulheres (Naomi Wolf)

Documentário sugerido:

Feministas, o que elas estavam pensando?

https://www.netflix.com/br/title/80216844

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